Disputou no combate Osmîa o passo
Aos mais animosos dos Romanos.
Quantas victimas forão de seu braço!
Na força do conflicto mais s’anima;
E quando os nossos de tropel a cercão,
Não volta contra si mesmo o ferro,
Que no sangue Romano se ensopára?
Eu felizmente o golpe lhe desvio.
Relucta, mas debalde: imperiosa
Observa-me hum momento, e rende a espada.
Cêdo ao destino (disse) porêm treme.
Vivo, e Rindaco vive…
- “Osmia”. Teresa de Mello Breyner. (premiada pela Academia Real das Sciencias de Lisboa em 13 de Maio de 1788).
Esperanças de um bem tão contingente,
Com que fim me andais sempre atormentando?
Se inútil +e que eu viva suspirando,
Porque me não deixais viver contente?
Ora fingis distante, ora presente
O motivo do mal que estou chorando;
Fingi-me, se podeis, ao menos, quando
Hei-de viver feliz, sendo indif’erente.
Se tanto nos aflige o meu sossego,
Que o perturbais por modo tão tirano,
Matai-me, que a morrer eu não me nego.
Mas se viva, o destino desumano
Me quer, fugi, que eu triste já me entrego
Ao descarnado e duro desengano.
- Marquesa de Alorna. fins do século XVIII
Amáveis solidões, bosques sagrados,
Que nas noites tranquilas livremente
Prestais um doce abrido aos desgraçados;
De meus olhos a límpida corrente
Deixai-me desatar; suspiros, brados
Expliquem sem receio o que a alma sente.
Tu, Cíntia, cuja luz fraca e serena
Parece que de Cária reflectira;
Não culpes o que indica a minha pena.
Se em minha alma inflamada Amor delira,
Desculpas deste mal, que um gesto ordena,
As dera Endimião, se não dormira.
Males tão novo, males tão tiranos
Vão consumando a minha triste vida
A doce primavera dos meus anos;
Que até tenho a memória já perdida
Daqueles suavíssimos enganos,
De que a lembrança me era tão querida.
Aqueles prados vejo que algum dia,
Mesmo apesar da pálida tristeza,
Doiravam mil indícios de alegria;
Tão agrestes, tão cheios de aspereza,
Que só inculcam morte; nem já sinto,
De alheia, responder minha firmeza…
Um não sei quê de falso lhe pressinto
Naquela que fez meus contentamentos,
Que em chamar-lhe o meu bem não sei se minto.
Consequências fatias de uma saudade
Que me tem a tal ponto reduzido,
Que nem sei esperar felicidade!
Vou vivendo por modo que duvido
Alguns instantes se serei morta:
Tal ainda com meus males meu sentido.
São isto extravagâncias da ventura,
Que chegam a obrigar quem, como eu, passa
A não saber se está na sepultura.
Mas sou tão acostumada co’a desgraça,
Que duvido, se acaso o bem tivera,
Até que o mesmo bem me satisfaça.
Porque Fortuna vária é tão severa,
Que, se me vir ao mal habituada,
Então me dará bens que eu não quisera.
Falsos bens, falso amor e falsa glória,
Tiranos que iludis enquanto imagino,
Ou vinde, ou me fugi já da memória!
Mas se ordena que eu morra o meu destino,
Dure depois da morte a terna história
Do que eu sofro por um gesto divino.
Se à Ninfa, que de amores e perdeu
Pelo Moço gentil que a desprezava,
Depois da morte a voz concedeu,
Eu suspiro como ela suspirava,
Eu choro e só procuro justo Céu,
Testemunhe meu pranto o que eu chorava.
Depois de terminados os meus dias,
Neste vale se escutem meus gemidos,
Intérpretes das minhas agonias.
Os rios de meus olhos submergidos
Não sejam; respeitai, selvas sombrias,
De mim meus ais, meu pranto divididos.
Basta já, males meus! Para matar-me,
Mais nada se precisa que as lembranças
Do quanto vós sabeis atormentar-me.
Mas na perda de minhas esperanças,
Se da Parca depressa encontro o corte,
Na morte contra vós tenho as vinganças,
Pois não podeis vencer-me além da morte.
- Marquesa de Alorna. fins do séc XVIII
Vai a fresca manhã alvorecendo,
vão os bosques as aves acordando,
vai-se o Sol mansamente levantando
e o mundo à vista dele renascendo.
Veio a noite os objectos desfazendo
e nas sombras foi todos sepultando;
eu, desperta, o meu fado lamentando.
fui coa ausência da luz esmorecendo.
…
Marquesa de Alorna
Como, importuno Amor, inda procuras
Misturar-te entre as minhas agonias?
-
(via tiafolk)
Marquesa de Alorna
Sir — I speak with humility — I would not wish to give offence — [timidly] — But, to the best of my observation and understanding, your sex, in respect to us, are all tyrants.
- Elizabeth Inchbald. Wives as they were and Maids as they are. 44
ANHALT. ‘Conscience is always right - because it never speaks unless it IS so’.
- Lover’s Vows. Elizabeth Inchbald (an adaptation of Das Kind des lieb by August von Kotzbue). p. 63.
To account for, and excuse the tyranny of man, many ingenious arguments have been brought forward to prove, that the two sexes, in the acquirement of virtue, ought to aim at attaining a very different character: or, to speak explicitly women are not allowed to have sufficient strength of mind to acquire what really deserves the name of virtue. Yet it should seem allowing them to have souls, that there is but one way appointed by providence to lead MANKIND to either virtue or happiness
- Mary Wollstonecraf. Vindications of the Rights of Women. Chapter 2.